segunda-feira, 15 de março de 2010

Quando os Dragões Choram


Seres de poder tremendo, vontade que move as linhas do destino, segredos profundos, sentimentos intensos, grandiosidade além da imaginação, sabedoria ancestral e um coração que abraça o mundo. Mas como diria o clássico: "poderes cósmicos fenomenais dentro de uma lampadazinha".
Não falo aqui sobre dragões como o título da a perceber, e sim de humanos, meros mortais de carne e osso que possuem espíritos do tamanho de dragões, mas que são reduzidos a pó quando lhes tocam os pontos fracos. Humanos como eu, como você, que têm tantos buracos nessa armadura frágil que é a vida, incapazes de se reerguer de golpes tolos e mesmo assim capazes de façanhas que fazem inveja até aos maiores dragões. Seres desconexos, desequilibrados e perdidos, que com gestos simples fazem sorrir até os mais infelizes. Crianças em mundo de loucos que choram quando não querem, perdem a cabeça nos piores momentos e criam coragem em momentos de desesperança.
Fracos como insetos, fortes como dragões e corajosos feito leões, mas que iguais aos dragões que nos protegem, incapazes de derramar uma simples lágrima quando querem e incapazes de segurar a torrente salgada quando não a desejam.



quinta-feira, 11 de março de 2010

Criação


Existem muitas teorias de criacionismo sobre o que nos criou e de onde viemos, mas poucas delas exploram o tema de quem criou o nosso criador ou tudo aquilo que nós mesmos criamos.
A bíblia diz que Deus criou o mundo, mas não diz quem criou Deus. A mitologia grega diz que Prometeu e Atena criaram a raça humana, que esses deuses vieram de outros que nasceram de titãs e que os primeiros titãs vieram do Caos Primordial, mas quem instituiu o caos? Os iorubás dizem que Olorum, o deus supremo, criou orixás e que um deles criou a Terra e a humanidade.
Independente da crença, você sempre terá um marco zero, um início, e antes deste marco o nada sem explicação, mas terá também incutido nos mitos, lendas e ciência, a capacidade criativa do homem. Se pararmos para pensar na nossa capacidade criativa e a compararmos às mitologias, onde sempre algo cria algo que cria outra coisa, perceberemos que também somos criadores, e não somente criaturas. Seguindo esse pensamento de criador, o ser humano acaba se tornando o deus de sua própria criação, o grande regente de sua própria vida, e às vezes uma divindade na vida de outros. Mas mesmo esse ser humano criador, deus, acaba se pegando com ligações a outros seres humanos deuses pois depende da criação deles para continuar a sua própria, assim como eles dependem da sua.
É interessante perceber essa relação de criador para criatura, pois não passamos de criaturas de outros criadores que se tornam criadores de novas criaturas. Em cada atitude, em cada pensamento criamos milhares de novas possibilidades que não passam de novas pequenas criaturas que dado um certo tempo podem criar outras possibilidades até que em meio ao infinito do espaço-tempo você acabe venerado como um deus.
Se voltarmos a teoria do marco zero, chegamos a grande dúvida, existe um marco zero? Qual é o início? Receio que as respostas ainda são incompreensíveis para a mente humana em seu estado atual, mas sempre vale a pena prestar atenção em tudo aquilo que criamos, pois um dia nossas criaturas podem se tornar nossos grandes criadores.

Imagem - Luis Royo