terça-feira, 10 de agosto de 2010

Tempo


Einstein uma vez disse que tudo o que ocorre é relativo a um observador, que um evento é diferente dependendo do ponto de vista e que o tempo não foge desse conceito, logo como o que se observa é espaço, o tempo acaba estando ligado a ele e forma uma coisa só, o espaço-tempo. O gênio disse também que esse espaço-tempo é contínuo, que vive em constante movimento, daí o conceito de que o tempo "passa". Ele teorizou a relatividade do tempo em relação a velocidade da luz, em altas velocidades o tempo "passa" de maneira diferente. Esse é um conceito físico.

No entanto, mesmo fora da velocidade da luz o tempo acaba sendo diferente para cada ser, dias passam mais rápido do que certas horas, minutos são mais lentos dependendo da situação, quem nunca ouviu no final do expediente a máxima "vai dar seis horas mas não da cinco". Esse é o conceito humano.

O que nos situa perante o tempo é a importancia da situação e o quanto damos de atenção ao tempo em relação a situação.
Minutos finais demoram mais pois prestamos atenção neles, férias acabam rápido pois não esperamos o seu fim, não prestamos atenção no tempo que passa.
Um ano é mais longo que um século, pois nossa mente está focada no ano e não no século. Se vivemos cem anos o fazemos sem perceber, os aniversário vem e vão, as primaveras voam. Agora experimenta esperar um ano por algo, não chega nunca! E quando esse ano está perto do fim, semanas parecem décadas e dias séculos.

O fascinante é que a medida de tempo, o fator comparativo, horas, minutos são sempre os mesmos, um minuto é sempre um minuto, são sessenta segundos bem contados não importa a situação, mas o que importa não é o minuto e sim a situação! O tempo gira em torno da situação e não o contrário, não somos escravos de um tempo imutável e sim mestres de um tempo moldável.

O que manda é a ação.

O que você faz com seus minutos?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Metade


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
Bandolins - Oswaldo Montenegro

Um grande amigo me mostrou uma música hoje, gostei tanto que fui buscar letra e cifra na internet, fiquei umas horas tentando tocar no violão e até cantar eu cantei. Acabei perdendo o sono nesse processo... A música foi feita para uma bailarina que ficou sozinha no Brasil quando o namorado que também era bailarino foi para a França e ela não pode ir com ele, a música é mesmo muito boa, fica aí o link e a letra pra quem quiser ouvir.

http://www.youtube.com/watch?v=VqBj0BPZ3dU

Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...

E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim
Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim

Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins...

Como fosse um lar
Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite
Caminhava assim

E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam a fada
Do meu botequim...

Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim

Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos Bandolins...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Liberdade


Somos livres por natureza, porém nascemos livres para no exato momento seguinte sermos presos a nossa família ou a alguém que cuide de nós, afinal nenhum bebê sobrevive sozinho. Crescemos aprendendo normas, leis, condutas, regras da sociedade em que vivemos e quanto mais o tempo passa, menos liberdade aprendemos a ter, sempre presos a algo ou alguém, moldamos nosso comportamento e diminuímos nossas vontades em prol do mundo que nos rodeia. Vivemos tanto tempo com nossas amarras e grilhões, em nossa falsa liberdade, que quando a real liberdade chega e soltamos as amarras e quebramos os grilhões, nos sentimos nus sem eles, e nos sentimos mal estando nus porque aprendemos que ficar nu é errado...
A grande verdade é que a liberdade é uma responsabilidade maior do que todos os laços que criamos pois quando realmente livres não temos mais a desculpa do altruísmo, os valores da sociedade, o sacrifício heróico, nada disso, as únicas coisas que nos restam são as nossas próprias causas e seus efeitos.
Somos cavalos selados amarrados a um poste, com toda a liberdade para correr em torno dele carregando no lombo todos que nos são caros, só precisamos perceber que podemos carregar tudo o que quisermos sem a sela e que viver ao lado do poste mesmo sem a corda não tem nada de errado.
Seria bom se corressemos nus um ao lado do outro e não acorrentados por nada...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Quando os Dragões Choram


Seres de poder tremendo, vontade que move as linhas do destino, segredos profundos, sentimentos intensos, grandiosidade além da imaginação, sabedoria ancestral e um coração que abraça o mundo. Mas como diria o clássico: "poderes cósmicos fenomenais dentro de uma lampadazinha".
Não falo aqui sobre dragões como o título da a perceber, e sim de humanos, meros mortais de carne e osso que possuem espíritos do tamanho de dragões, mas que são reduzidos a pó quando lhes tocam os pontos fracos. Humanos como eu, como você, que têm tantos buracos nessa armadura frágil que é a vida, incapazes de se reerguer de golpes tolos e mesmo assim capazes de façanhas que fazem inveja até aos maiores dragões. Seres desconexos, desequilibrados e perdidos, que com gestos simples fazem sorrir até os mais infelizes. Crianças em mundo de loucos que choram quando não querem, perdem a cabeça nos piores momentos e criam coragem em momentos de desesperança.
Fracos como insetos, fortes como dragões e corajosos feito leões, mas que iguais aos dragões que nos protegem, incapazes de derramar uma simples lágrima quando querem e incapazes de segurar a torrente salgada quando não a desejam.



quinta-feira, 11 de março de 2010

Criação


Existem muitas teorias de criacionismo sobre o que nos criou e de onde viemos, mas poucas delas exploram o tema de quem criou o nosso criador ou tudo aquilo que nós mesmos criamos.
A bíblia diz que Deus criou o mundo, mas não diz quem criou Deus. A mitologia grega diz que Prometeu e Atena criaram a raça humana, que esses deuses vieram de outros que nasceram de titãs e que os primeiros titãs vieram do Caos Primordial, mas quem instituiu o caos? Os iorubás dizem que Olorum, o deus supremo, criou orixás e que um deles criou a Terra e a humanidade.
Independente da crença, você sempre terá um marco zero, um início, e antes deste marco o nada sem explicação, mas terá também incutido nos mitos, lendas e ciência, a capacidade criativa do homem. Se pararmos para pensar na nossa capacidade criativa e a compararmos às mitologias, onde sempre algo cria algo que cria outra coisa, perceberemos que também somos criadores, e não somente criaturas. Seguindo esse pensamento de criador, o ser humano acaba se tornando o deus de sua própria criação, o grande regente de sua própria vida, e às vezes uma divindade na vida de outros. Mas mesmo esse ser humano criador, deus, acaba se pegando com ligações a outros seres humanos deuses pois depende da criação deles para continuar a sua própria, assim como eles dependem da sua.
É interessante perceber essa relação de criador para criatura, pois não passamos de criaturas de outros criadores que se tornam criadores de novas criaturas. Em cada atitude, em cada pensamento criamos milhares de novas possibilidades que não passam de novas pequenas criaturas que dado um certo tempo podem criar outras possibilidades até que em meio ao infinito do espaço-tempo você acabe venerado como um deus.
Se voltarmos a teoria do marco zero, chegamos a grande dúvida, existe um marco zero? Qual é o início? Receio que as respostas ainda são incompreensíveis para a mente humana em seu estado atual, mas sempre vale a pena prestar atenção em tudo aquilo que criamos, pois um dia nossas criaturas podem se tornar nossos grandes criadores.

Imagem - Luis Royo

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Destino

Começo a escrever com um pergunta, você acredita em destino?
O conceito básico diz que destino é a ordem natural estabelecida pelo universo, deus ou qualquer ser superior para o decorrer de nossa existência. Esse conceito nos diz que os acontecimentos ao nosso redor já estavam estabelecidos desde o início de nossas vidas, que o acaso não existe e que o que está por vir é inevitável e imutável. Então faço uma nova pergunta, e o livre-arbítrio?
Se nascemos com poder de escolha e decisão, o inevitável e o imutável já perdem sua força. Podendo mudar nossa direção pelos caminhos que nos são oferecidos, mudamos não só o nosso destino (ordem fixa e caminho único) mas também o dos que nos rodeiam, afinal nossas escolhas influenciam diretamente a vida dos que nos são próximos e as deles influenciam em outros que talvez nem conheçemos, fazendo com que uma frase sua dita em português dentro de um bar em São Paulo mude o rumo de uma pessoa que fala japonês em uma rua de Tókio. Se seguirmos por essa linha de pensamento chegamos a uma teoria de caos, onde uma pequena pedra só fez rolar a maior por conta do acaso de a pedra maior estar em seu caminho quando começou a rolar. Portanto nova pergunta, se o acaso existe e impera e tudo está em constante mutação, como explicar aquele amigo que você não via a mais de dez anos aparecendo em sua vida justo quando você mais precisava dele?
Respondendo às minhas próprias perguntas, cheguei a minha própria teoria (ainda imcompleta) sobre o destino. Acredito que exista um grande caminho pronto para nós desde o começo de nossa existência e que nesse caminho estão diversas situações que podemos encontrar na vida e junto dessas situações espaços "em branco", onde podemos criar nossas próprias situações. Em geral as pessoas seguem por esse grande caminho, fazem suas escolhas através do que já existe nele e nem se dão conta do que podem criar nos espaços "em branco". Outra parte dessa teoria diz que nossos caminhos cruzam os de outras pessoas, influenciando assim as escolhas delas e as nossas. E por diversas vezes esses caminhos seguem juntos por um tempo (como quando casamos, temos filhos, etc...). Essa teoria acaba sendo uma mescla do conceito básico de destino e de livre-arbítrio, dizendo que existe sim algo pré-determinado mas que pode ser alterado com nossas escolhas e vontade, e mostra que o acaso é a junção de vontades e desejos que se cruzam dentro desse grande plano.

Então pergunto novamente, você acredita em destino?