quinta-feira, 22 de abril de 2010

Metade


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
Bandolins - Oswaldo Montenegro

Um grande amigo me mostrou uma música hoje, gostei tanto que fui buscar letra e cifra na internet, fiquei umas horas tentando tocar no violão e até cantar eu cantei. Acabei perdendo o sono nesse processo... A música foi feita para uma bailarina que ficou sozinha no Brasil quando o namorado que também era bailarino foi para a França e ela não pode ir com ele, a música é mesmo muito boa, fica aí o link e a letra pra quem quiser ouvir.

http://www.youtube.com/watch?v=VqBj0BPZ3dU

Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...

E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim
Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim

Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins...

Como fosse um lar
Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite
Caminhava assim

E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam a fada
Do meu botequim...

Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim

Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos Bandolins...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Liberdade


Somos livres por natureza, porém nascemos livres para no exato momento seguinte sermos presos a nossa família ou a alguém que cuide de nós, afinal nenhum bebê sobrevive sozinho. Crescemos aprendendo normas, leis, condutas, regras da sociedade em que vivemos e quanto mais o tempo passa, menos liberdade aprendemos a ter, sempre presos a algo ou alguém, moldamos nosso comportamento e diminuímos nossas vontades em prol do mundo que nos rodeia. Vivemos tanto tempo com nossas amarras e grilhões, em nossa falsa liberdade, que quando a real liberdade chega e soltamos as amarras e quebramos os grilhões, nos sentimos nus sem eles, e nos sentimos mal estando nus porque aprendemos que ficar nu é errado...
A grande verdade é que a liberdade é uma responsabilidade maior do que todos os laços que criamos pois quando realmente livres não temos mais a desculpa do altruísmo, os valores da sociedade, o sacrifício heróico, nada disso, as únicas coisas que nos restam são as nossas próprias causas e seus efeitos.
Somos cavalos selados amarrados a um poste, com toda a liberdade para correr em torno dele carregando no lombo todos que nos são caros, só precisamos perceber que podemos carregar tudo o que quisermos sem a sela e que viver ao lado do poste mesmo sem a corda não tem nada de errado.
Seria bom se corressemos nus um ao lado do outro e não acorrentados por nada...